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Taiwan: substância para recuperar coração após infarto é testada

As doenças cardiovasculares são, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a principal causa de mortes no planeta. E uma segunda parada cardíaca - em uma pessoa que já teve um infarto do miocárdio - é um dos problemas que mais preocupa os médicos. O coração, enfraquecido pelo ataque, terá menos forças para aguentar um novo infarto e muitas vezes precisa ser auxiliado por um artificial ou totalmente substituído - em um transplante. Contudo, pesquisadores de Taiwan desenvolveram uma técnica que pode ajudar o órgão a se recuperar melhor e mais rapidamente. A pesquisa foi divulgada dia 08 de agosto (2012) na revista Science Translational Medicine, da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês, que também publica a Science).

Os médicos já tentam usar um conjunto de moléculas chamado de fator de crescimento endotelial vascular (VEGF, na sigla em inglês). Ele estimula a produção de vasos sanguíneos e o fortalecimento das artérias e, na teoria, ajudaria na recuperação do órgão. Contudo, os cientistas não conseguem manter por um longo tempo a concentração necessária da substância no lugar desejado e, assim, todos os estudos até agora não tiveram bom resultado para ajudar um coração machucado.

O que os pesquisadores de Taiwan fizeram foi criar um gel, feito com nanofibras, que mantém o VEGF por tempo suficiente no local desejado. As nanofibras criam um microambiente que facilita a atuação das moléculas e estimula o fortalecimento dos vasos e, os pesquisadores acreditam, poderão ser usadas com um cateter, com um procedimento minimamente invasivo.

Os cientistas asiáticos testaram a injeção do gel em ratos e o resultado foi surpreendente - 14 dias depois da aplicação, os níveis de VEGF foram mantidos e as artérias haviam sido fortalecidas. Em outro momento, eles fizeram testes em porcos - um animal muito mais parecido com o ser humano. Ao aplicar o gel na região danificada do coração, o resultado também foi positivo, apesar de não tão bom quanto o dos roedores, mas muito melhor que de outras técnicas.

Patrick C.H. Hsieh, um dos autores do estudo, afirma que esse tipo de estudo é recente e que as pesquisas estão em fase inicial. "Nós temos usado material para reparos cardíacos por mais de seis anos, mas apenas com estudos em animais, não em clínicas ainda", diz ao Terra o cientista da Academia Sinica, de Taipei, e da Universidade Nacional Cheng Kung, de Tainan.

Hsieh afirma que esses novos materiais não devem ser baratos (ele preferiu não estimar um preço para o tratamento), mas "podem prover uma alternativa ao transplante de coração, que é muito mais caro".

Karen Christman, da Universidade da Califórnia em San Diego (sem relação com o estudo asiático), comenta em um artigo separado da revista que o uso do gel de nanofibras mostrou outra vantagem sobre o que se tinha feito até agora: ele não permite o vazamento do VEGF para outros tecidos. Se o fator de crescimento acaba em outros órgãos, ele pode causar hipotensão, proteinúria (excesso de perda de proteína na urina) e edemas.

No tempo certo

Christman alerta que a efetividade da injeção se demonstrou ligada ao tempo da aplicação: de preferência, imediatamente após o infarto. Segundo a cientista, ao tentar se reparar, o coração passa por diversos passos que debilitam o órgão e que terminam com depósito de colágeno - o que causa cicatrizes no órgão. O uso imediato da substância após a parada cardíaca, como indicam os testes em animais, evita a criação dessas cicatrizes de colágeno.

Os resultados em animais, após 28 dias da aplicação, foram muito melhores que qualquer tratamento testado até agora. "Os autores (do artigo) mostraram que o seu material de nanofibras melhorou o coração em modelos animais pequenos e grandes, sem efeitos nocivos a outros tecidos", diz o comentário dos editores da revista, que afirmam que novos testes precisam ser feitos, inclusive para testar a possibilidade de uso em cateter (até agora, os testes foram feitos com injeções no coração dos animais). "Com estas considerações em mente, esta promissora combinação nanofibras/VEGF estará pronta para ser testada para curar o coração humano."

  Fonte:www.terra.com.br

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